Pensão alimentícia: valores, prazos e revisão judicial

A pensão alimentícia garante o sustento de filhos, ex-cônjuges e outros dependentes. O valor deve ser fixado conforme as necessidades do alimentando e a capacidade financeira do alimentante. Saiba como é calculada, quando pode ser revisada e quais são os prazos legais.

A pensão alimentícia é uma das principais obrigações decorrentes das relações familiares. Seu objetivo é assegurar que filhos, ex-cônjuges ou outros dependentes mantenham condições dignas de sustento após a dissolução de uma união.

O Código Civil (artigos 1.694 a 1.710) e a Lei nº 5.478/1968 (Lei de Alimentos) regulamentam a matéria. Esses dispositivos estabelecem que o valor dos alimentos deve equilibrar as necessidades de quem recebe e as possibilidades de quem paga, garantindo justiça e proporcionalidade.

Como o juiz define o valor da pensão alimentícia

A Justiça adota o chamado binômio necessidade e possibilidade. Isso significa que o valor depende de dois fatores:

  1. Necessidade do alimentando — representa os custos com moradia, alimentação, educação, saúde e lazer.
  2. Possibilidade do alimentante — corresponde à capacidade financeira de quem paga, sem comprometer sua própria subsistência.

Em muitos casos, o valor é fixado como percentual da renda líquida do alimentante (geralmente entre 15% e 30%), mas o juiz pode definir quantia fixa quando não há renda formal comprovada.

Quem tem direito a receber pensão alimentícia

A lei prevê diferentes beneficiários da pensão, dependendo da relação familiar:

  • Filhos menores de idade — até completarem 18 anos;
  • Filhos maiores em curso universitário — até a conclusão da graduação;
  • Ex-cônjuge ou ex-companheiro — em casos de dependência econômica temporária;
  • Pais idosos — quando comprovam necessidade de apoio financeiro.

Em qualquer caso, a obrigação tem natureza recíproca, podendo ser exigida tanto de ascendentes quanto de descendentes, conforme o artigo 1.696 do Código Civil.

Formas de pagamento e cumprimento da obrigação

A pensão alimentícia pode ser paga de três formas principais:

  1. Desconto em folha de pagamento, determinado pelo juiz;
  2. Depósito mensal em conta indicada;
  3. Pagamento direto por acordo extrajudicial homologado judicialmente.

O não pagamento pode gerar execução judicial e até prisão civil do devedor, conforme o artigo 528 do Código de Processo Civil, quando as três últimas parcelas não forem quitadas.

Como funciona a revisão judicial da pensão

A pensão pode ser revisada a qualquer momento, desde que haja alteração significativa na situação financeira das partes. A ação revisional de alimentos permite aumentar ou reduzir o valor, observando-se os mesmos critérios do binômio necessidade-possibilidade.

Exemplos comuns de revisão:

  • perda de emprego ou redução de renda do alimentante;
  • aumento das despesas com educação ou saúde do alimentando;
  • mudança de guarda ou emancipação de filho.

O pedido deve ser fundamentado com provas documentais, como holerites, recibos e relatórios médicos ou escolares.

Prazos e duração da obrigação alimentar

A pensão não tem prazo fixo, mas o dever de prestar alimentos cessa automaticamente quando desaparecem as condições que justificaram sua fixação.

No caso de filhos menores, o pagamento se encerra com a maioridade (18 anos), salvo se comprovada a necessidade de continuidade, como durante a faculdade.
Para ex-cônjuges, a obrigação é geralmente temporária e cessa quando o beneficiário adquire autonomia financeira.

Acordo extrajudicial e mediação familiar

Casais que mantêm diálogo podem fixar o valor da pensão por acordo extrajudicial, formalizado em escritura pública ou termo de mediação. Após homologação judicial, o documento tem a mesma força de uma sentença.

A mediação familiar tem sido amplamente utilizada no Rio de Janeiro, pois reduz conflitos, agiliza a definição do valor e evita longos processos judiciais.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. A pensão alimentícia pode ser paga em bens ou serviços?
Em regra, o pagamento deve ser em dinheiro, mas o juiz pode autorizar outras formas, desde que atendam ao interesse do alimentando.

2. Como provar a necessidade de revisão da pensão?
Apresente documentos que demonstrem mudança na renda ou nas despesas, como contracheques, comprovantes escolares e recibos médicos.

3. O desemprego suspende o pagamento da pensão?
Não. O valor pode ser reduzido, mas o alimentante deve comprovar formalmente a nova situação financeira.

4. É possível fixar pensão por acordo sem juiz?
Não. Todo acordo sobre alimentos precisa ser homologado judicialmente ou formalizado em escritura pública com a presença de advogado.

A pensão alimentícia é instrumento essencial para garantir o equilíbrio financeiro e o bem-estar familiar após a separação. Sua fixação deve observar critérios de proporcionalidade, assegurando tanto o sustento de quem recebe quanto a viabilidade de quem paga.

Com o apoio de um advogado especializado em Direito de Família, é possível ajustar o valor às novas realidades econômicas e assegurar que a obrigação seja cumprida de forma justa e legal.

Leituras relacionadas

  • Diferença entre guarda compartilhada e unilateral: o que a lei prevê
  • Alienação parental: como identificar e quais medidas cabem

Viagem com crianças e adolescentes: quando a autorização é obrigatória e o que a lei realmente exige

As regras para viagens nacionais e internacionais envolvendo crianças e adolescentes dependem de quem acompanha o menor e do destino. Quando viajam com ambos os pais, nenhuma autorização é necessária. Entretanto, viagens internacionais com apenas um dos responsáveis, ou deslocamentos nacionais desacompanhados ou com terceiros, exigem autorização por escrito ou determinação judicial. O objetivo da norma é garantir segurança e prevenir violações de direitos, incluindo risco de desaparecimento e tráfico internacional.

Saiba mais »

Férias interrompidas por mensagens de trabalho: o que diz a lei e quais são os riscos para o empregador

O uso do WhatsApp para cobrar tarefas durante as férias viola o direito à desconexão e contraria a CLT, que determina que o período deve ser destinado exclusivamente ao descanso. A insistência do empregador em manter contato profissional pode gerar pagamento de horas extras, indenização e invalidação das férias. A Justiça do Trabalho tem reconhecido a prática como abuso e interferência no repouso garantido por lei.

Saiba mais »

Imóvel na planta: quais garantias você tem e quais riscos jurídicos precisam de atenção antes da compra

A compra de um imóvel na planta oferece vantagens financeiras, mas envolve riscos que exigem análise jurídica cuidadosa. O contrato deve detalhar prazos, garantias, cláusulas de atraso, direitos de desistência e responsabilidades da construtora. Normas como o Código de Defesa do Consumidor e a Lei de Incorporações garantem proteção ao comprador, mas apenas quando as informações são claras e completas.

Saiba mais »
Política de Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações de cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.