As compras online cresceram muito no Brasil nos últimos anos, impulsionadas pela pandemia, aumento de conectividade, ofertas e facilidade de pagamento. Simultaneamente, surgem riscos: produtos que não chegam, divergência de especificações, cobranças indevidas, fraudes, problemas de garantia. Consumidores que não conhecem seus direitos estão vulneráveis. A legislação já prevê uma série de proteções — esta matéria mostra quais são e como exercê‑las.
Direito de arrependimento, devolução e troca
- Direito de arrependimento: previsto no Código de Defesa do Consumidor (CDC), art. 49 — consumidor pode desistir da compra feita fora do estabelecimento comercial (internet, telefone, catálogo) no prazo de 7 dias corridos após o recebimento do produto ou assinatura do contrato, sem necessidade de justificativa, com devolução integral dos valores pagos.
- Troca por defeito ou vício: CDC arts. 18‑26 — produtos ou serviços com vício de qualidade ou quantidade devem ser reparados, trocados ou devolvidos, conforme o caso; prazos variam: 30 dias para produtos duráveis, 90 dias para induráveis ou serviços.
- Garantia legal: todo produto ou serviço tem garantia legal mínima prevista em lei; garantia contratual é adicional, não substitui a legal. O vendedor/provedor deve informar claramente.
Fraudes, segurança de dados
- possibilidade de fraudes: clonagem de cartão, uso indevido de dados pessoais, golpes de phishing, sites falsos etc.
- Legislações aplicáveis incluem o CDC e a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados, Lei 13.709/2018), que impõem obrigações quanto à segurança dos dados dos consumidores.
- Consumidor tem direito de saber como os dados são usados, acesso, correção e eliminação, quando aplicável; em caso de violação, há direito à indenização e sanções regulatórias.
Como reclamar: Procon, juizados, plataformas
- Primeiro passo: registrar contato com o vendedor/plataforma — atendimento ao cliente, reclamação formal por e‑mail ou sistema da empresa; guardar protocolos, prints ou comunicações.
- Se não for resolvido: procurar Procon estadual ou municipal, usar sistema consumidor.gov.br para reclamações eletrônicas.
- Em casos de valor menor, usar Juizado Especial Cível; para valores maiores ou onde haja dano moral envolvido, buscar orientação jurídica.
- Verificar regulamentos específicos das plataformas de marketplace: direitos de devolução, políticas de frete, responsabilidade por produto de terceiro, etc.
Exemplos práticos / jurisprudência
- Situação: produto enviado diferente do anunciado; consumidor solicita devolução; vendedor exige que arque com frete de retorno — se política não for clara, consumidor pode exigir retorne gratuito.
- Caso de plataforma que não entrega produto, mesmo já tendo recebido pagamento — consumidor pode rescindir contrato, exigir reembolso, perdas e danos, e relatar cobrança indevida.
- Fraude de cartão em compras online: consumidor deve comunicar banco; plataforma que não tomou cuidado com segurança pode ser responsabilizada.
Checklist de compra segura
- Verifique reputação da loja / marketplace (avaliacoes, CNPJ etc.)
- Leia política de devolução e garantia antes de comprar
- Use métodos de pagamento seguros, prefira proteção quando disponível (cartão, intermediários, etc.)
- Guarde recibos, emails, comprovantes de entrega; tire fotos antes de abrir embalagem se houver indícios de violação
- Se algo der errado, aja rapidamente: registro formal, Procon, Juizado, advogado





























